Tal como acontece com as sopas, há missas e missas. Falemos das breves (em latim, missa brevis), que suprimem algumas partes menos (digamos assim) interessantes, restringindo-se por exemplo ao Kyrie, ao Credo, ao Sanctus e ao Agnus Dei.
Algumas obras primas desta espécie dão fama a uns tantos personagens – João Sebastião Bach, W.A. Mozart, Benjamin Britten ou Vytautas Miškinis, um rapaz do meu ano –, uma lista apesar de tudo bastante restrita, onde poderia constar pelo menos mais um nome, o do padre Tomaz da Conceição Ramalho. Se a sua excelentíssima afilhada tivesse sabido ficar calada.
Foi no Verão de 68. Salazar já tinha caído da cadeira, mas o país ainda não sabia. As férias grandes corriam mansas e plenas de tédio; como quase todos os da sua idade, o infante arrastava um enorme cansaço de não fazer nada, as semanas passando sem história, nem memória. De obrigações, apenas a de ir à missa todos os dias, um sacrifício imposto pela comunidade aldeã ao futuro padre que não haveria de ser.
Na igreja da terra, o ritual da missa de semana, igual à de domingo, apenas sem a homilia secante. A assistência também era diferente, umas oito a dez mulheres, se tanto. Oficiante, o padre Tomaz, acusando o desgaste dos seus mais de oitenta anos, tendo a ajudá-lo nos actos um rapazinho pouco seguro de vir a fazer carreira trajado de batina e outra paramentaria sacra. Como sempre, naquela manhã, o padre Tomaz cumpria a função com a exactidão de funcionário. Com mais de sessenta anos de ofício, dizia a missa em português com a mesma desenvoltura com que o fizera, tantos anos, em latim.
Tudo normal, sem nada a assinalar. Até àquele momento.
Cumprido o Confiteor (“Confesso a Deus todo-poderoso e a vós irmãos, que pequei …”, vocês lembram-se), o padre Tomaz lançou, resoluto, o Pai Nosso, saltando por cima do Gloria e das entediantes leituras da Epístola e do Evangelho. O infante sentiu um ligeiro sobressalto, mas deixou andar, como se tudo aquilo fosse normal – que, em verdade, em verdade vos digo, aquele pequeno salto do oficiante abreviava a função em 60% do tempo, um quarto-de-hora bem contado. E todos sabemos quão importantes são quinze minutos na vida de um adolescente.
Hesitante no princípio, a assembleia seguiu o padre Tomaz no Pai Nosso. Como se quisesse levá-lo à glória do clube restrito das missas breves. Onde agora estaria, de pleno direito, em tão boa companhia, ad aeternum.
Mas, não foi assim – dali da frente, sem sair do lugar, alto e bom som, a menina Maria de Jesus ordenou: “Oh, padrinho, agora não é o Pai Nosso, é o Gloria”. Todas as mulheres se calaram e o padre também. Segura de si – não se sabendo se convicta ou não do mal que acabava de fazer ao padrinho-padre – a Menina Maria de Jesus do senhor vigário (que era assim que a ela se referia toda a gente da terra) lançou, ela própria, o “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa-vontade…", seguida alegremente pelo coro das mulheres e depois pelo próprio padre.
Foi desta forma inglória que Tomaz ficou às portas da imortalidade. Ou porque “Deus escreve direito por linhas tortas” ou por outra razão que me escapa, nunca mais teve outra oportunidade.
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domingo, 7 de março de 2010
domingo, 31 de maio de 2009
A missa do Paulo, do Sobral
No Seminário do Tortosendo, o senhor "padre prefeito" era pessoa de se temer. Grande, de cabelos cortados ao estilo castrense, olhar de viés pronto à reprimenda e ao castigo, o porte muito militar. Questão de feito; ou de estilo profissional, na convicção de a rédea curta ser o tratamento adequado para jovens em mudança de voz. No caso, mais de uma centena de galfarros.
A prática corrente na casa era a designação de um par dessas futuras vocações, quartanistas, que haviam de cumprir, durante um trimestre lectivo, funções de sacristão. Quem entrava, aprendia com quem saía, que a passagem do testemunho tinha os seus quês - tratar das hóstias , abastecer as galhetas de água e vinho para as missas (4 a 6, por dia, tantos eram os padres em exercício), preparar a paramentaria para os ofícios litúrgicos e ajudar à missa, pois então, que se dizia ainda em latim. Assim fez o Paulo, do Sobral, na passagem do testemunho; e lá recomendou muito bem a partida obrigatória que os novos recrutas haveriam de pregar (na aparentemente maior das inocências) ao "padre prefeito".
Para dizerem missa, os padres põem várias peças - uma alva, de linho, que lhes desce até aos pés, cingida por um cordão na cintura, permitindo ajustar-lhe a altura, chamado cíngulo, uma estola ao pescoço, que cruza o peito e se cinge ao nível da cintura; por cima de tudo, a casula, da cor correspondente ao tempo litúrgico e uma grande cruz nas costas, que enfia pela cabeça.
No guarda-roupa daquele instituto religioso havia uma casula verde, feia, o tecido muito rapadinho e especialmente pequena. Em padre de baixa estatura, enfim, passava; mas não ia especialmente bem com a altura do "padre prefeito", a quem ficava visivelmente curta. No primeiro dia do Tempo Comum, que é quando se usa paramentaria verde, quando acabou de se vestir para a missa, na sacristia, o "padre perfeito" teve um ataque de fúria. Risos para dentro dos dois "sacristas", ar de "anjinho que não percebe" para fora, o ridículo de um padre furibundo a cair da roupa ali mesmo à sua frente.
A sentença veio rápida e fulminante: tendo atingido os limites da paciência (a cena repetia-se em cada nova incorporação de sacristães), o "padre prefeito" mandou que a casula fosse queimada nesse mesmo dia.
Os dois quartanistas ouviram, sem acreditar - aquelas cabecinhas nunca tinham imaginado que se pudessem queimar vestimentas de missa. "Hoje mesmo, sem falta", repetiu o padre-calmeirão, acrescentando que nunca mais queria ver a dita peça à sua frente.
A queima (que o mais jovem dos infantes sentira, primeiro, como auto de fé sacrílego, aceitando-a, depois, com uma certa incomodidade) fez-se nos terrenos da quinta anexa. O caminho para lá foi feito em procissão: oficiante, o Paulo, do Sobral, à frente, com a casula vestida e de mãos postas; atrás, segurando a "cauda", os dois sacristães em exercício, todos a cantar o "Avé, avé, avé Maria".
Para que conste: a peça ardeu muito bem, deixando um montinho de cinza de todo insignificante. Em boa verdade, não se perdeu grande coisa; apenas, a possibilidade de, pelo menos uma vez no ano, a "infantaria" poder, através dos seus "sacristas", pregar uma partida inocente ao padre-repressor. Soubessem eles a humilhação que o prefeito sentia ao ver-se com aquela peça vestida...
A prática corrente na casa era a designação de um par dessas futuras vocações, quartanistas, que haviam de cumprir, durante um trimestre lectivo, funções de sacristão. Quem entrava, aprendia com quem saía, que a passagem do testemunho tinha os seus quês - tratar das hóstias , abastecer as galhetas de água e vinho para as missas (4 a 6, por dia, tantos eram os padres em exercício), preparar a paramentaria para os ofícios litúrgicos e ajudar à missa, pois então, que se dizia ainda em latim. Assim fez o Paulo, do Sobral, na passagem do testemunho; e lá recomendou muito bem a partida obrigatória que os novos recrutas haveriam de pregar (na aparentemente maior das inocências) ao "padre prefeito".
Para dizerem missa, os padres põem várias peças - uma alva, de linho, que lhes desce até aos pés, cingida por um cordão na cintura, permitindo ajustar-lhe a altura, chamado cíngulo, uma estola ao pescoço, que cruza o peito e se cinge ao nível da cintura; por cima de tudo, a casula, da cor correspondente ao tempo litúrgico e uma grande cruz nas costas, que enfia pela cabeça.
No guarda-roupa daquele instituto religioso havia uma casula verde, feia, o tecido muito rapadinho e especialmente pequena. Em padre de baixa estatura, enfim, passava; mas não ia especialmente bem com a altura do "padre prefeito", a quem ficava visivelmente curta. No primeiro dia do Tempo Comum, que é quando se usa paramentaria verde, quando acabou de se vestir para a missa, na sacristia, o "padre perfeito" teve um ataque de fúria. Risos para dentro dos dois "sacristas", ar de "anjinho que não percebe" para fora, o ridículo de um padre furibundo a cair da roupa ali mesmo à sua frente.
A sentença veio rápida e fulminante: tendo atingido os limites da paciência (a cena repetia-se em cada nova incorporação de sacristães), o "padre prefeito" mandou que a casula fosse queimada nesse mesmo dia.
Os dois quartanistas ouviram, sem acreditar - aquelas cabecinhas nunca tinham imaginado que se pudessem queimar vestimentas de missa. "Hoje mesmo, sem falta", repetiu o padre-calmeirão, acrescentando que nunca mais queria ver a dita peça à sua frente.
A queima (que o mais jovem dos infantes sentira, primeiro, como auto de fé sacrílego, aceitando-a, depois, com uma certa incomodidade) fez-se nos terrenos da quinta anexa. O caminho para lá foi feito em procissão: oficiante, o Paulo, do Sobral, à frente, com a casula vestida e de mãos postas; atrás, segurando a "cauda", os dois sacristães em exercício, todos a cantar o "Avé, avé, avé Maria".
Para que conste: a peça ardeu muito bem, deixando um montinho de cinza de todo insignificante. Em boa verdade, não se perdeu grande coisa; apenas, a possibilidade de, pelo menos uma vez no ano, a "infantaria" poder, através dos seus "sacristas", pregar uma partida inocente ao padre-repressor. Soubessem eles a humilhação que o prefeito sentia ao ver-se com aquela peça vestida...
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domingo, 24 de maio de 2009
O leitor omnívoro (depois, sopa de rama de rabanetes, que se faz em 20 minutos)
Ler foi, desde muito cedo, um acto compulsivo que ele exerceu com a mesma avidez - e o mesmo gosto, benza-o Deus - em tudo quanto tinha letras: uma pedra com uma inscrição gravada, o rótulo de uma embalagem de margarina ou de um frasco de xarope, um livro, um cartaz, o jornal da paróquia ou uma revista missionária, um panfleto anticomunista, o papel que embrulhava os rebuçados, um manifesto sindical, uma carta de alguém conhecido ou de um estranho, a anotação nas costas de uma fotografia ou um pedaço de jornal, as letrinhas pequeninas com as instruções para preenchimento de um impresso, um decreto-lei ou o edital de uma entidade pública, a "literatura inclusa" de um medicamento para o reumático, a página impressa de um missal romano, em latim, o manual do cozinheiro prático, o Livro de São Cipriano ou os Evangelhos apócrifos, o Borda d'Água ou Os Manuscritos do Mar Morto, o Antigo como o Novo Testamento ou o Livro da Terceira Classe, A Bola ou um Flos Sanctorum, o Sans Famille, A Marca dos Avelares ou o Luta Popular, a contestação feita por um advogado de segunda categoria, como o Catálogo de Livros Seleccionados d'O Mundo do Livro, um exemplar raro da edição princeps d'Os Lusíadas ou o traslado setecentista de um acto notarial de quatrocentos anos antes. Enfim, o que for e o que seja, qual omnívoro das letras a quem, ainda por cima, tudo o que come faz proveito.
A sua entrada no mundo das letras não foi, sequer, tão prematura quanto isso; deu-se num tempo de penúria extrema de material sobre que pudesse exercer-se a compulsão de ler. E foi dessa forma que o pouco que havia foi lido tantas vezes que se lhe imprimiu na memória profunda, inapagável - o I.N.R.I. da cruz dos Redentoristas, na igreja matriz de São Vicente, depois repetido em cada cruz de Cristo crucificado (de que haveria, muito depois, de descobrir o significado), o J.A.E. da ordem em todos os marcos e placas da estrada nº 352, aquele escrito ao lado do precário na barbearia do Zé Fiambre que dizia "Cuspir no chão é feia acção", com que se pretendia travar esse bárbaro procedimento dos fregueses, em regra, analfabetos; e as páginas - quase todas - dos livros da segunda e da terceira classes, em especial (pela musicalidade e pela temática campestre) o poema que começava assim: "Palram pega e papagaio/E cacareja a galinha/Os ternos pombos arrulham/Geme a rola inocentinha.//Muge a vaca, berra o touro/Ouvem-se os porcos grunhir/Libando o suco das flores/Costuma a abelha zumbir".
Em casa não havia nada que se lesse, fora os livros da escola, lidos e relidos; fora de casa, era o mesmo - livros não havia e jornais eram só os que vinham a embrulhar algum peixe que se comprava à Palmira Sardinheira, ao Maiaca ou aos Pinuras (por junto, com os Chamiços, as linhagens peixeiras da terra) ou as meias folhas com que, na mercearia, embrulhavam as postas de bacalhau e o sabão. Jornais esses - digamos, pedaços de jornal - que haviam de ser esquadrinhados e lidos, tintim por tintim por um ser insaciável de leitura: neste, um título truncado sobre uma tempestade que fez centenas de mortos na região de ... e dois parágrafos e prosa opinativa sobre uma matéria incompreensível; no verso, o calendário das partidas e chegadas de navios no porto de Lisboa; num outro, ao acaso, o relatório das acções desenvolvidas pela tropa portuguesa na Província de Angola, com o número das baixas infligidas ao inimigo e quatro linhas com os nomes dos soldados portugueses mortos (sempre em acidentes com viaturas), tendo no verso a fotografia, sem legenda, de uma procissão algures no mundo católico. Era assim, por regra - prosas sem os necessários princípio-meio-e-fim, pedaços de frases parágrafos que se liam sem se saber como começavam, outros como acabavam.
Mas, não eram esses pormenores suficientes para inibir, no bom leitor, a compulsão para ler. A tal ponto que, num tempo em que os homens, como as bestas, defecavam pelos campos, acumulando em certos sítios pedaços de notícias e de outras prosas derramadas em pedaços de jornal usados como papel higiénico, muito leu o bom leitor-omnívoro nos muitos momentos em que a humanal e prosaica fisiologia o obrigou a agachar-se nesses locais.
Caldo de Rama de Rabanetes
Ingredientes
Rama frescas (talo e folhas de um molho de rabanetes)
2 cebolas
3 colheres de sopa de azeite
1,5 l. de água
Sal q.b.
Lave a rama dos rabanetes e corte-a aos bocados; faça o mesmo às cebolas.
Deite-as com cuidado numa panela, onde colocou previamente o azeite.
Leve a lume brando, durante 5 minutos, sem tapar a panela.
Ponha a ferver, à parte, a água, temperada com sal. Quando levantar fervura, retire-a e derrame-a sobre os legumes. Tape e deixe cozer durante 10 minutos.
A sua entrada no mundo das letras não foi, sequer, tão prematura quanto isso; deu-se num tempo de penúria extrema de material sobre que pudesse exercer-se a compulsão de ler. E foi dessa forma que o pouco que havia foi lido tantas vezes que se lhe imprimiu na memória profunda, inapagável - o I.N.R.I. da cruz dos Redentoristas, na igreja matriz de São Vicente, depois repetido em cada cruz de Cristo crucificado (de que haveria, muito depois, de descobrir o significado), o J.A.E. da ordem em todos os marcos e placas da estrada nº 352, aquele escrito ao lado do precário na barbearia do Zé Fiambre que dizia "Cuspir no chão é feia acção", com que se pretendia travar esse bárbaro procedimento dos fregueses, em regra, analfabetos; e as páginas - quase todas - dos livros da segunda e da terceira classes, em especial (pela musicalidade e pela temática campestre) o poema que começava assim: "Palram pega e papagaio/E cacareja a galinha/Os ternos pombos arrulham/Geme a rola inocentinha.//Muge a vaca, berra o touro/Ouvem-se os porcos grunhir/Libando o suco das flores/Costuma a abelha zumbir".
Em casa não havia nada que se lesse, fora os livros da escola, lidos e relidos; fora de casa, era o mesmo - livros não havia e jornais eram só os que vinham a embrulhar algum peixe que se comprava à Palmira Sardinheira, ao Maiaca ou aos Pinuras (por junto, com os Chamiços, as linhagens peixeiras da terra) ou as meias folhas com que, na mercearia, embrulhavam as postas de bacalhau e o sabão. Jornais esses - digamos, pedaços de jornal - que haviam de ser esquadrinhados e lidos, tintim por tintim por um ser insaciável de leitura: neste, um título truncado sobre uma tempestade que fez centenas de mortos na região de ... e dois parágrafos e prosa opinativa sobre uma matéria incompreensível; no verso, o calendário das partidas e chegadas de navios no porto de Lisboa; num outro, ao acaso, o relatório das acções desenvolvidas pela tropa portuguesa na Província de Angola, com o número das baixas infligidas ao inimigo e quatro linhas com os nomes dos soldados portugueses mortos (sempre em acidentes com viaturas), tendo no verso a fotografia, sem legenda, de uma procissão algures no mundo católico. Era assim, por regra - prosas sem os necessários princípio-meio-e-fim, pedaços de frases parágrafos que se liam sem se saber como começavam, outros como acabavam.
Mas, não eram esses pormenores suficientes para inibir, no bom leitor, a compulsão para ler. A tal ponto que, num tempo em que os homens, como as bestas, defecavam pelos campos, acumulando em certos sítios pedaços de notícias e de outras prosas derramadas em pedaços de jornal usados como papel higiénico, muito leu o bom leitor-omnívoro nos muitos momentos em que a humanal e prosaica fisiologia o obrigou a agachar-se nesses locais.
(10 de Agosto de 2005)
________________________________Caldo de Rama de Rabanetes
Ingredientes
Rama frescas (talo e folhas de um molho de rabanetes)
2 cebolas
3 colheres de sopa de azeite
1,5 l. de água
Sal q.b.
Lave a rama dos rabanetes e corte-a aos bocados; faça o mesmo às cebolas.
Deite-as com cuidado numa panela, onde colocou previamente o azeite.
Leve a lume brando, durante 5 minutos, sem tapar a panela.
Ponha a ferver, à parte, a água, temperada com sal. Quando levantar fervura, retire-a e derrame-a sobre os legumes. Tape e deixe cozer durante 10 minutos.
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domingo, 3 de maio de 2009
De como o mano borrou a escrita (depois, caldo de couve portuguesa)
A mim, agora, os versos saem-me em jorros, sem esforço, como uma diarreia.
António Ramos Rosa, na casa dos oitenta anos, em entrevista ao JL.
O mano foi excepcionalmente fluente na arte da escrita, que eu saiba pelo menos uma vez. Ele teria sete anos, estava na primeira classe, e eu mais dois.
Quando, naquela tarde de sol, nos viu de regresso a casa umas duas horas mais cedo do que era costume, a mãe não podia acreditar - as calças do benjamim escritas de cima a baixo e os sapatos também.
Saímos da escola à pressa, a minha mão na dele, a espaços; a professora tinha dado com ele muito parado, descobrindo depois que ele estava em urgências de "ir lá fora", sem pedir. Quando descíamos as escadas em direcção aos sanitários públicos - que na altura já os havia, precários, um pouco distantes dali, na Fonte Velha - a urgência sempre em crescendo, sem dar tréguas, a máquina intestinal do mano em roda livre, qual fenómeno da natureza, incontrolável pelos mecanismos da vontade ou da vergonha. "Aguentas?", foi a pergunta repetida até três quartos do caminho andado. Mas, quando o lugar de destino já estava mesmo ali, romperam-se as guardas do pobre, incapazes de conter por mais tempo a revolução interna que nos levara àquela parte.
Ao menos não havia gente por perto. A escritura foi obra de escassos segundos, em andamento lento, mas contínuo.
Impossível eliminar os frutos daquela abundância, traduzindo, limpar o fato e o calçado do agente e vítima de tal desmando. A única solução era fazer, ligeiros, o caminho de casa, por ruas e caminhos menos propícios a encontros, o infante em porte da maior compostura e dignidade, o acompanhante controlando uns insinuantes assomos de riso, sempre que lhe vinha à cabeça a judiciosa formulação, em palavras, dos momentos antecedentes - o mano borrara a escrita toda!
Caldo de couve portuguesa
Ingredientes
250 g de toucinho entremeado
250 g de batatas cortadas aos quadrados
1 couve portuguesa cortada às tiras
1 cebola
2 colheres de azeite
1 dente de alho
Sal q.b.
Coze-se a carne e a cebola descascada, mas inteira, numa panela com água.
Quando a carne estiver cozida, retira-se a cebola.
Juntam-se as batatas, a couve, o alho, o azeite e tempera-se com sal.
Deixa-se cozer.
Antes de servir, retiram-se as batatas e desfazem-se com um garfo, juntando-as de seguida ao caldo.
António Ramos Rosa, na casa dos oitenta anos, em entrevista ao JL.
O mano foi excepcionalmente fluente na arte da escrita, que eu saiba pelo menos uma vez. Ele teria sete anos, estava na primeira classe, e eu mais dois.
Quando, naquela tarde de sol, nos viu de regresso a casa umas duas horas mais cedo do que era costume, a mãe não podia acreditar - as calças do benjamim escritas de cima a baixo e os sapatos também.
Saímos da escola à pressa, a minha mão na dele, a espaços; a professora tinha dado com ele muito parado, descobrindo depois que ele estava em urgências de "ir lá fora", sem pedir. Quando descíamos as escadas em direcção aos sanitários públicos - que na altura já os havia, precários, um pouco distantes dali, na Fonte Velha - a urgência sempre em crescendo, sem dar tréguas, a máquina intestinal do mano em roda livre, qual fenómeno da natureza, incontrolável pelos mecanismos da vontade ou da vergonha. "Aguentas?", foi a pergunta repetida até três quartos do caminho andado. Mas, quando o lugar de destino já estava mesmo ali, romperam-se as guardas do pobre, incapazes de conter por mais tempo a revolução interna que nos levara àquela parte.
Ao menos não havia gente por perto. A escritura foi obra de escassos segundos, em andamento lento, mas contínuo.
Impossível eliminar os frutos daquela abundância, traduzindo, limpar o fato e o calçado do agente e vítima de tal desmando. A única solução era fazer, ligeiros, o caminho de casa, por ruas e caminhos menos propícios a encontros, o infante em porte da maior compostura e dignidade, o acompanhante controlando uns insinuantes assomos de riso, sempre que lhe vinha à cabeça a judiciosa formulação, em palavras, dos momentos antecedentes - o mano borrara a escrita toda!
Agosto 2005
_________________________Caldo de couve portuguesa
Ingredientes
250 g de toucinho entremeado
250 g de batatas cortadas aos quadrados
1 couve portuguesa cortada às tiras
1 cebola
2 colheres de azeite
1 dente de alho
Sal q.b.
Coze-se a carne e a cebola descascada, mas inteira, numa panela com água.
Quando a carne estiver cozida, retira-se a cebola.
Juntam-se as batatas, a couve, o alho, o azeite e tempera-se com sal.
Deixa-se cozer.
Antes de servir, retiram-se as batatas e desfazem-se com um garfo, juntando-as de seguida ao caldo.
domingo, 12 de abril de 2009
Já puseste da saúde? ou as cartas para os tios de Lisboa
A avó começava a fazer o cerco muitos dias antes. Hás-de-me ir lá escrever uma carta para os teus tios", era a sentença repetidas as vezes necessárias, até me ter sentado numa cadeira, tendo à frente a mesa da sala e, nela, o papel da carta. A longa função ia começar! Na primeira linha, o local e a data, como mandava a regra: [Casal da Fraga, 12 de Maio de 1963]; nas seguintes, o [Meus queridos filhos] da ordem e os dizeres da saúde: [estimo que ao receberdes esta vos encontrais (sic) de saúde, na companhia de quem mais desejardes. Nós cá ficamos como Deus permite]. Ao lado, então, a avó já dormia, cumprindo-se, também nisso, o ritual associado às cartas para os tios, umas três ou quatro vezes, se tanto, em cada ano.
- Avó?!
E ela abria os olhos, para dizer:
- Já puseste da saúde? Diz que nós estamos bem.
E retomava o fio do sono, para desespero do infante-escriba, afrontado com a urgência do regresso à brincadeira.
- Isso já está, vó. Diga lá mais.
- Lê lá.
E ele lia aquele nada que estava escrito, avaliando o escrevente que, das quatro páginas do papel de carta, ainda nem uma estava meia. E a avó já dormia outra vez. Quando é que ele ia conseguir sair dali?
- Vó!
- Han? Ah, sim, diz que nós estamos bem.
- Já está, vó! O que é que escrevo mais?
A avó pensava um bocadinho e dizia, passando a mão esquerda pelos olhos e descendo-a pela cara:
- De noite, tinha assunto para quatro ou cinco cartas; agora não me vem nada à ideia. Diz que recebemos a carta dele e assim [Recebemos a vossa carta e por ela soubemos notícias e como estavam todos bem e com saúde, graças a Deus] e com isto se enchia a página da frente da carta.
Numa sacudidela, novas queixas da avó pela falta de assunto. E a função longe, longe de acabar.
- Vó, agora escrevo na folha a seguir ou salto?
- Como não me lembro o que é que se há-de dizer, salta logo para a outra. Pergunta lá se têm visto os teus outros tios.
Mansamente, a avó retornara ao sono e ele a não querer esquecer nenhuma palavra, que todas eram precisas para compor uma missiva com o mínimo de dignidade. Deixando em branco as quatro ou cinco primeiras linhas, escrevia: [Então tendes lá visto os vossos irmãos, irmãs, cunhados e cunhadas, sobrinhos e sobrinhas e restante família? Então e eles estão bem? Estimo que estejam todos com saúde. Quando os voltardes a encontrar, dai-lhes recomendações nossas e dizei-lhes que temos muitas saudades de todos e que não se esqueçam de escrever à mãe e ao pai.]
- Vó, já escrevi dos tios.
Depois de uma pausa longa, acordada, a avó tornava-lhe:
- Ai que não me lembro mesmo de mais nada! E estou aqui a perder tempo, com tanto que fazer. Ainda tens muito para escrever? Deixa o resto dessa folha e passa logo para a última. Manda-lhes as despedidas, minhas e do avô.
[Sem outro assunto, despeço-me por hoje...]
O das letras nem cabia nele, gritando por dentro: "Malta, eu vou já para aí, é só acabar isto!"
[... com muitos beijos para todos, para os vossos filhos e restante família e cumprimentos a quem por nós perguntar. Recomendações e saudades do vosso pai e da vossa mãe, que vos deitam a benção, Francisco e Maria do Rosário.]
- Já está, vó!
- Já acabaste? Lê lá tudo.
E ele lia, ligeiro, com um pé já na escada, a avó acordada o tempo todo.
- Está bem - dizia ela. - Agora só falta fazer o envelope com a direcção. Onde é que eu guardei a carta que eles mandaram?
E levantava-se para ir à procura na gaveta dos garfos e das colheres, na mala da roupa, no baú do enxoval da tia mais nova, na mesa de cabeceira, no vão do postigo do quarto, em cima da mesa, ... em todo o lado, já a repetir os sítios. E era então que ele deixava de ouvir, lá fora, as vozes dos companheiros de bola.
"Lá se foi a desforra!"
____________________________________
SOPA DE CEBOLA
Ingredientes:
3 cebolas grandes
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de farinha de trigo
250 g. de fatias finas de pão
125 g. de queijo de bola
Queijo do Alentejo ralado, caldo de carne e sal - q.b.
Cortam-se as cebolas em rodelas finas e cozem-se lentamente na manteiga, até começarem a corar.
Salpicam-se com a farinha, mexem-se e cobrem-se com bastante caldo.
Deixe ferver 10 minutos, para apurar.
Num tabuleiro Pyrex põem-se em camadas alternadas as fatias de pão torradas, fatias de queijo e colheradas de caldo com as cebolas, até terminarem os ingredientes secos.
Cobre-se tudo com o resto do caldo feito com as cebolas, que é indispensável ser abundante para as sopas não fiarem secas e duras.
Polvilha-se por cima com o queijo ralado e mete-se em forno forte durante 15 minutos para a superfície gratinar.
- Avó?!
E ela abria os olhos, para dizer:
- Já puseste da saúde? Diz que nós estamos bem.
E retomava o fio do sono, para desespero do infante-escriba, afrontado com a urgência do regresso à brincadeira.
- Isso já está, vó. Diga lá mais.
- Lê lá.
E ele lia aquele nada que estava escrito, avaliando o escrevente que, das quatro páginas do papel de carta, ainda nem uma estava meia. E a avó já dormia outra vez. Quando é que ele ia conseguir sair dali?
- Vó!
- Han? Ah, sim, diz que nós estamos bem.
- Já está, vó! O que é que escrevo mais?
A avó pensava um bocadinho e dizia, passando a mão esquerda pelos olhos e descendo-a pela cara:
- De noite, tinha assunto para quatro ou cinco cartas; agora não me vem nada à ideia. Diz que recebemos a carta dele e assim [Recebemos a vossa carta e por ela soubemos notícias e como estavam todos bem e com saúde, graças a Deus] e com isto se enchia a página da frente da carta.
Numa sacudidela, novas queixas da avó pela falta de assunto. E a função longe, longe de acabar.
- Vó, agora escrevo na folha a seguir ou salto?
- Como não me lembro o que é que se há-de dizer, salta logo para a outra. Pergunta lá se têm visto os teus outros tios.
Mansamente, a avó retornara ao sono e ele a não querer esquecer nenhuma palavra, que todas eram precisas para compor uma missiva com o mínimo de dignidade. Deixando em branco as quatro ou cinco primeiras linhas, escrevia: [Então tendes lá visto os vossos irmãos, irmãs, cunhados e cunhadas, sobrinhos e sobrinhas e restante família? Então e eles estão bem? Estimo que estejam todos com saúde. Quando os voltardes a encontrar, dai-lhes recomendações nossas e dizei-lhes que temos muitas saudades de todos e que não se esqueçam de escrever à mãe e ao pai.]
- Vó, já escrevi dos tios.
Depois de uma pausa longa, acordada, a avó tornava-lhe:
- Ai que não me lembro mesmo de mais nada! E estou aqui a perder tempo, com tanto que fazer. Ainda tens muito para escrever? Deixa o resto dessa folha e passa logo para a última. Manda-lhes as despedidas, minhas e do avô.
[Sem outro assunto, despeço-me por hoje...]
O das letras nem cabia nele, gritando por dentro: "Malta, eu vou já para aí, é só acabar isto!"
[... com muitos beijos para todos, para os vossos filhos e restante família e cumprimentos a quem por nós perguntar. Recomendações e saudades do vosso pai e da vossa mãe, que vos deitam a benção, Francisco e Maria do Rosário.]
- Já está, vó!
- Já acabaste? Lê lá tudo.
E ele lia, ligeiro, com um pé já na escada, a avó acordada o tempo todo.
- Está bem - dizia ela. - Agora só falta fazer o envelope com a direcção. Onde é que eu guardei a carta que eles mandaram?
E levantava-se para ir à procura na gaveta dos garfos e das colheres, na mala da roupa, no baú do enxoval da tia mais nova, na mesa de cabeceira, no vão do postigo do quarto, em cima da mesa, ... em todo o lado, já a repetir os sítios. E era então que ele deixava de ouvir, lá fora, as vozes dos companheiros de bola.
"Lá se foi a desforra!"
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SOPA DE CEBOLA
Ingredientes:
3 cebolas grandes
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de farinha de trigo
250 g. de fatias finas de pão
125 g. de queijo de bola
Queijo do Alentejo ralado, caldo de carne e sal - q.b.
Cortam-se as cebolas em rodelas finas e cozem-se lentamente na manteiga, até começarem a corar.
Salpicam-se com a farinha, mexem-se e cobrem-se com bastante caldo.
Deixe ferver 10 minutos, para apurar.
Num tabuleiro Pyrex põem-se em camadas alternadas as fatias de pão torradas, fatias de queijo e colheradas de caldo com as cebolas, até terminarem os ingredientes secos.
Cobre-se tudo com o resto do caldo feito com as cebolas, que é indispensável ser abundante para as sopas não fiarem secas e duras.
Polvilha-se por cima com o queijo ralado e mete-se em forno forte durante 15 minutos para a superfície gratinar.
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domingo, 5 de abril de 2009
Azul ou vermelho, as cores da escrita, e depois a sopa de favas
A escola era ali na Praça, o centro do mundo conhecido, que a distância ainda estava por descobrir e o infinito do céu terminava, afinal, no recorte ondulado dos cabeços e vales da serra em volta.
Ela sentava-se à secretária; atrás, na parede, os dois presidentes - à direita, o do Conselho; o da República do outro lado, um Cristo crucificado entre ambos. E ela escrevia, numa letra notável, cheia, redonda, de uma regularidade impressionante. Que espanto vê-la a escrever, a caneta preta e verde feita pincel de artista, o traço rigoroso, mas fluente, lançando ao papel palavras azuis, pontos, vírgulas e outros sinais.
Que escreveria ela, a professora, tão compenetrada e séria, convertendo o acto num exercício de enorme gravidade? Quando escrevia, ela não estava ali; era como se tivesse entrado em outra dimensão, numa imaterialidade sem tempo, imune à devassa de uns olhitos deslumbrados (seriam os únicos?) numa carteira da fila da frente. De vez em quando parecia despertar e, numa meia ausência, passava o olhar pela sala e repreendia algum, se necessário; ao dos olhitos, perguntava: "Então, não fazes o teu desenho?" E ele submetia-se, momentaneamente, para, logo depois, voltar ao mesmo. E isto haveria de se repetir, uma e outra vez, até ela dar a obra por acabada, numa profusão de azul cosida ao branco do papel.
O traço, ao meu pai, saía-lhe visivelmente mais espesso, tanto na pedra, como na madeira. O lápis grosso afiava-o com a navalha. Gostava de lhe ver o encarnado na orelha (o azul, nem tanto), como em tempos vira ao senhor Fernandito, mestre carpinteiro de tectos e soalhos, o número um na armação do forro de uma casa. Ainda estava para nascer outro igual. O primo Clemente até podia sê-lo, não fora o estrago que nele fazia o vinho, e, pior, nunca se lhe viu um lápis na orelha, sequer na mão - riscos, se era preciso serrar direito, fazia-os com um prego. Uma heresia!
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SOPA DE FAVAS
Ingredientes:
1 kg de favas
1 cebola
3 colheres de sopa de azeite
50 g de arroz
Sal q.b.
Leva-se uma panela ao lume com o azeite e a cebola picada, deixando refogar.
Junta-se a água necessária e as favas descascadas e lavadas.
Tempera-se com sal e deixa-se cozer.
Finalmente, deita-se o arroz, deixando acabar de cozer.
Ela sentava-se à secretária; atrás, na parede, os dois presidentes - à direita, o do Conselho; o da República do outro lado, um Cristo crucificado entre ambos. E ela escrevia, numa letra notável, cheia, redonda, de uma regularidade impressionante. Que espanto vê-la a escrever, a caneta preta e verde feita pincel de artista, o traço rigoroso, mas fluente, lançando ao papel palavras azuis, pontos, vírgulas e outros sinais.
Que escreveria ela, a professora, tão compenetrada e séria, convertendo o acto num exercício de enorme gravidade? Quando escrevia, ela não estava ali; era como se tivesse entrado em outra dimensão, numa imaterialidade sem tempo, imune à devassa de uns olhitos deslumbrados (seriam os únicos?) numa carteira da fila da frente. De vez em quando parecia despertar e, numa meia ausência, passava o olhar pela sala e repreendia algum, se necessário; ao dos olhitos, perguntava: "Então, não fazes o teu desenho?" E ele submetia-se, momentaneamente, para, logo depois, voltar ao mesmo. E isto haveria de se repetir, uma e outra vez, até ela dar a obra por acabada, numa profusão de azul cosida ao branco do papel.
O traço, ao meu pai, saía-lhe visivelmente mais espesso, tanto na pedra, como na madeira. O lápis grosso afiava-o com a navalha. Gostava de lhe ver o encarnado na orelha (o azul, nem tanto), como em tempos vira ao senhor Fernandito, mestre carpinteiro de tectos e soalhos, o número um na armação do forro de uma casa. Ainda estava para nascer outro igual. O primo Clemente até podia sê-lo, não fora o estrago que nele fazia o vinho, e, pior, nunca se lhe viu um lápis na orelha, sequer na mão - riscos, se era preciso serrar direito, fazia-os com um prego. Uma heresia!
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SOPA DE FAVAS
Ingredientes:
1 kg de favas
1 cebola
3 colheres de sopa de azeite
50 g de arroz
Sal q.b.
Leva-se uma panela ao lume com o azeite e a cebola picada, deixando refogar.
Junta-se a água necessária e as favas descascadas e lavadas.
Tempera-se com sal e deixa-se cozer.
Finalmente, deita-se o arroz, deixando acabar de cozer.
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